sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Spell Forest - Verum


Spell Forest - Verum

Por Brucolaques
 

Não seria mero exagero dizer que “Verum” é um dos trabalhos mais vorazes e seminais lançado pelo Spell Forest, que mesmo com tantas mudanças de formação ao longo de sua história, conseguiu lançar álbuns de tamanho padrão de qualidade dentro do Black Metal, tornando-se uma das principais referências do gênero no Brasil. Neste quinto álbum, a banda manteve aquela sonoridade executada em seus dois últimos álbuns, com vocais ríspidos, guitarras gélidas, passagens extremamente ásperas ligadas a outras um pouco mais atmosféricas e recheadas de peso. A única diferença talvez seja a redução no uso de intervenções de violão nas músicas e uma dose a mais de melancolia nas linhas de teclado, mas nada que diminua a velha e ameaçadora proposta Satânica da banda. Certamente, “Verum” é um dos registros mais significativos do Spell Forest em toda a sua discografia e é de se lamentar o fato de nenhum selo tê-lo lançado (ou mesmo a banda, de forma independente), pois o mesmo encontra-se disponível apenas para download, em seu site oficial.

Sadistic Gore - Tools of Monstrosity


Sadistic Gore - Tools of Monstrosity

Por Brucolaques


Death Metal na sua mais pura essência bruta. Vindos de terras mineiras, o Sadistic Gore mostra nesse seu MCD de estréia ótimas composições e uma evolução grandiosa se comparado ao seu CD-Demo “Buried Alive”. Riffs avassaladores despejam paulada atrás de paulada, aliando toda aquela técnica habitual do gênero com solos bem encaixados e definidos a bases violentíssimas, demonstrando grande influência de bandas tradicionais norte-americanas em sua música. Em suma, um trabalho dedicado àqueles que deliram com a violência do Death Metal, executado por este que é mais um nome a levantar a bandeira do gênero no Brasil.

Eminent Shadow – In The Fog of the Night…We Burn his Kingdom

 
Eminent Shadow – In The Fog of the Night…We Burn his Kingdom (Misanthropic Records)

Após vários anos na luta e do lançamento do seu debut álbum “Final War” em 2006, eis que estes  quatro guerreiros apocalípticos lançam este obscuro e sinistro petardo do metal da morte. Neste álbum, temos uma breve intro seguida de seis hinos fudidos de um death metal pesado e agressivo, cadenciado e extremamente barbárico. As cordas enchem o som de peso, a cozinha executa muito bem seu papel e como se isso não bastasse o vocal é monstruoso, gutural ao extremo com variações rasgadas em momentos bem oportunos. Algumas letras abordam a guerra ao cristianismo de forma épica, outras mencionam diversas entidades demoníacas. A primeira música “Confront of the Gods” é excelente, cadenciada, brutal, épica e rápida em certas passagens. O som lembra muito bandas antigas como o Miasma, Vital Remains no seu clássico “Let us Pray”, até mesmo algumas passagens de músicas mais carregadas e com andamento mais lento do Morbid Angel. Destaque para as faixas “Bloody Conspiracy”, “Barbaric Worshipper” com um excelente trampo na bateria e a última música blasfemada em nossa língua “Fúria do Aço”. Para fechar, um tributo aos deathbangers austríacos do Miasma com o grande clássico “Baphomet”. Excelente lançamento!

Offal




Entrevista com Offal
 
1. Saudações a todos do Offal! Gostaria de começar esta entrevista com um breve resumo sobre a trajetória da banda e sobre suas últimas atividades. 
 
André: Olá, como vai? Bom, as atividades da banda tiveram início em 2002 quando ainda se chamava Orgy in Excrements, mas apenas em 2003, após algumas mudanças de formação tivemos a formação propriamente dita do Offal. A banda teve início apenas como um projeto entre amigos, um passa-tempo de final de semana, onde nos reuníamos apenas para tocar alguns covers das antigas bandas que sempre gostamos como Sodom, Destruction, Sarcófago, Death, Autopsy... Porém com o passar do tempo surgiram algumas oportunidades interessantes como o lançamento do primeiro CD e convites para tocar “ao vivo”, então o Offal realmente passou a ter caráter de banda mesmo e não mais de um simples projeto. Os objetivos sempre foram bastante simples, apenas fazer o que gostamos sem compromisso algum, tocar o bom e velho Death Metal essencialmente com características da velha-escola sempre tendo isso como uma grande homenagem, uma retribuição ao que as velhas bandas do final dos anos 80 e inicio dos anos 90 fizeram e nos deixaram como legado e manter esse velho espírito sempre vivo e presente! Atualmente seguimos apenas divulgando os últimos materiais que foram lançados, o novo CD e os splits. 



2. Como surgiram as oportunidades para os lançamentos do split com Decrepitaph e Anatomia? Vocês preferem o material de vocês em LP/7"EP ou CD? Vocês estão preparando algo novo para 2012, dado que o último lançamento foi de 2010?
 
André: Ambos os splits foram lançados no final de 2010 e ocorreram naturalmente em decorrência do crescimento da exposição e aceitação da banda ao redor do mundo. Nossa porcentagem de cópias já se esgotaram a um bom tempo, porém ambos ainda encontram-se disponíveis e podem ser adquiridos através dos selos que os lançaram, NO POSERS PLEASE (Noruega) e GRIND BLOCK RECORDS (Itália). Esses materiais são bastante importantes para nós pelo fato de termos conseguido lançar o Offal em diferentes formatos, principalmente o vinil que realmente sempre foi e sempre será um grande atrativo para os fãs de Death Metal, pois creio que existe um certo romantismo, há a história do formato clássico por trás disso tudo e isso é realmente muito especial! As músicas presentes nestes lançamentos são inéditas e da mesma sessão de gravação do Macabre Rampages... ou seja, mais Death Metal da velha escola, pútrido e grotesco! Sim, sim... temos recebido alguns convites para novos lançamentos, alguns são bastante interessantes. Estamos trabalhando em algumas músicas novas e acredito que esse ano ainda devemos ter algumas novidades quanto a novos lançamentos.
 
Tersis: Penso que o CD “Macabre Rampages and Splatter Savages” é um dos mais importantes materiais na discografia do Offal. As músicas foram compostas, desenvolvidas e aprimoradas sem pressão de datas ou coisas do tipo, portanto pudemos buscar o detalhamento que buscávamos desde o início. Interessante citar as conexões conceituais exploradas no material, começando pela capa e seguindo por toda a estrutura do disco, desde as músicas, introduções, letras e material gráfico em geral. Os lançamentos em vinil foram muito importantes por tudo aquilo que o André já disse, mas para mim são músicas realmente especiais que ficaram de fora do disco, apesar de terem sido gravadas na mesma seção. Sempre que possível ouço esses LPs em casa...  



3. Uma coisa que gosto muito no som de vocês é o clima sinistro que emana das músicas, assim como todas boas bandas de death metal, como Autopsy, Incantation, Death, por exemplo. Sempre achei esse feeling mais interessante que a supervalorização da técnica e velocidade... e de certa forma o Offal está muito bem equilibrado nestes dois quesitos. Dentro da atual cena, isso os torna únicos em minha opinião, e acredito que os fãs da banda também apreciem isso.  Conte-nos sobre seus gostos musicais e inspirações para composição. Existe alguma banda que quando vocês ouviram pela primeira vez bateu aquele pensamento "quero aprender a tocar e fazer um som assim!"? 
Tersis: Obrigado pelos elogios! Para criar esse clima, é preciso realmente gostar de Death Metal. Todos somos fanáticos pelo gênero, além de sermos grandes fãs de filmes de horror e cinema trash. Ao meu ver, a soma desses elementos faz com que haja um reflexo natural na composição. Comecei a ouvir esse som nos anos noventa, inicialmente com bandas mais acessíveis como Sepultura (old), Slayer, etc. Conforme o tempo foi passando, fui descobrindo outras linhas, cada vez mais extremas. Lembro de ter explorado no gênero bandas como Death, Deicide, Gorefest, Napalm Death e tantas outras, mas todas elas enquanto estavam em seu auge (hoje considerados discos clássicos). A partir desta base, comecei a buscar outras referências, mais underground e algumas bem desconhecidas. Posso dizer que assim como você, prefiro esse feeling, infelizmente raro de se encontrar hoje em dia. Mas ainda busco muita coisa, tentando sempre resgatar materiais de bandas antigas.

4. André Luiz, você sempre esteve presente de forma marcante na cena goregrind com seus insanos berros no Lymphatic Phlegm. Digamos que de certa forma por ser uma banda de estúdio o LP nunca se preocupou em realizar shows (certo?). E agora, com o Offal, como se sente subindo ao palco para vomitar sangue ao vivo? Como foram os shows de vocês até hoje?
 
André: Bom, tocar “ao vivo” com o Offal sempre foi um fato raro, pois sempre tivemos muitos problemas quanto à disponibilidade de tocar, quando acontecem procuramos fazer as coisas de forma com que possamos passar o que sentimos e o que o Offal pretende, principalmente no sentido do resgate do Death Metal do final dos anos 80 e início dos anos 90, apenas isso! Não somos precursores de nada, não queremos criar nada, fazemos apenas uma homenagem a tudo aquilo que faz parte de nossas vidas desde nossa adolescência! A energia contida nisto tudo é muito grande e a resposta do pessoal nas apresentações é muito positiva, então não há como não dar certo, energia e diversão do começo ao fim! A partir do momento em que as pessoas se identificam com alguma coisa, elas também querem mostrar o que sentem nesse sentido e então as coisas acontecem de forma ainda mais forte, é a união de dois sentimentos que se exacerbam, que se tornam explícitos naquele momento, uma troca positiva que leva a um resultado bastante interessante, acho que é isso que ocorre quando tocamos!
 


5. Aproveitando o assunto, como você compararia o processo de composição do Offal com o Lymphatic Phlegm? Alguma diferença? Em termos técnicos, alguma banda exige mais de você? A experiência anterior com o Lymphatic Phlegm certamente contribui em algum aspecto.

André: São processos completamente diferentes, não há absolutamente nada a ver um com o outro, inclusive não gosto de fazer comparações, pois são coisas bastante distintas! Quanto á exigência, ambas se assemelham em todos os aspectos e a experiência com o LP me ajudou bastante quanto a questão de estúdio, pois fica bem mais fácil saber como proceder em uma gravação, por exemplo, já contando com experiências anteriores.

6.Introduções retiradas de filmes de horror são com certeza uma característica de muitas bandas de death/gore/grind, basta lembrar de Impetigo, Mortician e etc. Enfim, achei curioso vocês listarem de qual filme foram retiradas  as introduções, pois dos álbuns do Impetigo/Mortician que tenho, nenhum cita. Por um lado acho que perde o mistério, pois como fã de filmes de horror sempre achei interessante aquela sensação de descobrir de qual filme é a intro. Por outro lado, isso nos revela quais são seus filmes favoritos e nos permite descobrir novos filmes. Tem alguma coisa a ver com direitos autorais, ou foi uma escolha de vocês? Comente a respeito.

André: Então... exatamente pelo fato de levar anos tentando descobrir de quais filmes foram retiradas as intros que as grandes bandas usaram em seus discos que tive a idéia de mencionar no nosso encarte de quais filmes, citando ano e diretores, as intros foram retiradas. Acho que o pessoal gostou da idéia, pois recebemos diversos comentários positivos sobre esse item. Apesar de que os filmes escolhidos por nós para o último álbum não serem tão obscuros e de difícil acesso, foi interessante especificar a origem das introduções, ainda mais para leigos ou pessoas que não conhecem filmes do gênero de forma geral.



7. O que você diria da cena de gore/grind de hoje em dia? Eu gosto bastante do estilo há um bom tempo, entretanto percebo que está cada vez mais dificil de achar bandas que fazem uma música boa, com personalidade e estilo. A grande maioria é muito vazia, querendo ser a mais porca, ou a mais barulhenta, ou apenas arte gráfica com sangue e putaria. De certa forma, isso é meio parecido com a supervalorização que muitas bandinhas dão a questão do visual dentro do black metal, por exemplo. Felizmente temos muitas bandas nacionais boas, seguindo a estrada há um bom tempo ou começando agora com sangue fresco (Flesh Grinder, Lymphatic Phlegm, Gore, Sarcastic, Expurgo, Expose Your Hate, I Shit on Your Face e etc).
 
André: “Cena gore/grind”? Isso não existe já faz muito tempo, no Brasil é claro! Enquanto no exterior o pessoal realmente age de forma conjunta, como uma cena mesmo, apoiando selos e bandas, adquirindo material original, indo a shows e etc… aqui tudo continua a mesma m… de sempre ou pelo menos a mesma m… de bastante tempo atrás! São cada vez mais raros os consumidores de material original, os blogs de download de material se proliferam dia-a-dia, os eventos do gênero raramente conseguem levar 100 pagantes e normalmente os organizadores ficam com os prejuízos (Eu e o Tersis podemos afirmar com o evento The Matter Of Splatter)… a triste realidade é essa! Hoje é realmente muito difícil falar em “cena”, pelo menos para mim ela não existe e duvido que alguém prove o contrário! Bandas e pessoas vêm e vão e o tempo sempre se encarrega de mostrar quem é quem, apesar de termos uma série de bandas legais que estão fazendo bastante barulho hoje em dia, pra mim as últimas grandes bandas de gore/grind de VERDADE que surgiram e que infelizmente já acabaram foram o NEURO-VISCERAL EXHUMATION/SP e o FECULENT GORETOMB/CE, outras vêm bem atrás! No Death Metal nacional atualmente gosto muito do HEADHUNTER D.C (Sem comentários!), ESCARNIUM/BA, MASS EXECUTION/ES, THE BLACK COFFINS/SP e a melhor de todas: INFAMOUS GLORY/SP.

Tersis: Sobre a questão de apoio e a “cena”, temos observado que lá fora ainda há valorização do material original, tanto é que a maior parte dos discos que lançamos foi enviada para o exterior. Talvez o poder aquisitivo seja maior em países mais desenvolvidos, porém bandas undergrounds e selos independentes normalmente tem materiais com baixo custo. Acredito que o público mais jovem já nasceu numa geração onde a música “é gratuita” e pode-se encontrar qualquer coisa para fazer download na internet. Admito sentir muita falta das lojas que tínhamos na cidade, além de toda aquela expectativa quando descobríamos que uma banda iria lançar material novo. Fazíamos encomenda de CDs sem nunca ter ouvido nem uma prévia e aguardávamos dois, três ou até seis meses para receber o material. Toda essa magia está se perdendo pelo imediatismo que a ansiedade de informação trás. Ainda hoje sigo esse ritual: compro discos em diversos formatos e aguardo o recebimento para poder ouvir em casa com calma, observando todos os detalhes como a arte, informações e letras.



8. Sei que vocês cultuam bandas antigas de death metal como o Autopsy. O que vocês acharam do retorno da banda e do seu novo álbum? Para mim, foi fantástico ouvir um material novo, e sobretudo de altíssima qualidade...os caras não perderam o feeling, continua macabro como sempre. Algum outro lançamento Death Metal de banda (nova ou antiga) chamou a atenção de vocês recentemente?

André: Genial! Eu sou suspeito para falar, pois eles são minha banda de Death Metal favorita de todos os tempos, então... Particularmente eu estava receoso com a volta deles, pois esses retornos geralmente são trágicos e frustram grande parte dos fans, mas felizmente eles ainda continuam geniais como sempre e o MACABRE ETERNAL é um grande álbum, longe dos clássicos como o MENTAL FUNERAL, por exemplo, mas ainda um excelente disco! Putz meu, os suécos continuam reinando como sempre, GRAVE, UNLEASHED, DISMEMBER (Que infelizmente acabou!), os novos materiais do ASPHYX e CIANIDE são muito fodaaa, das bandas digamos “mais recentes”, algumas já não tão recentes temos o DECREPITAPH, MAUSOLEUM, NECROWRETCH, MAIM, BASTARD PRIEST, UNDERGANG, FUNEBRARUM, MORBUS CHRON, DEAD CONGREGATION, GRAVE MIASMA, STENCH OF DECAY, CRUCIAMENTUM, DISMA, porraaaaa só banda foda!

Tersis: Eu gostei bastante do “Macabre Eternal”. Eu já tinha gostado do “The Tomb Within” e não sabia se eles lançariam um bom álbum, mas realmente superaram o EP. Na verdade, também sou fã da banda. Conheço pessoas que não gostam de discos como o “Shitfun”... talvez a atmosfera seja um pouco diferente pois marca aquela transição para o Abscess, enfim... Realmente os materiais novos não tem a mesma magia de antigamente (acredito ser quase impossível conseguir reproduzir isso hoje em dia), porém são ótimos discos. Devo admitir que parei um pouco no tempo e alguns lançamentos de bandas velhas eu mal tenho acompanhado. Recentemente tentei ouvir o novo do Cannibal Corpse e realmente não desceu... em compensação gostei muito do “Deathhammer” do Asphyx. O Disma também está excelente (já era de se esperar, tendo o Craig Pillard na banda...


9. Recentemente algumas bandas tem misturado o death metal com doom, não que isso seja inédito, algumas bandas antigas tinham essa característica. Entretanto, bandas como Hooded Menace e Acid Witch por exemplo, o fazem de forma bem diferente no meu ponto de vista. O que você acha deste tipo de som? Musicalmente, você acha positivo esse tipo de abordagem "experimental", "diferente"? Você citaria alguma outra aberração experimental interessante dentro do grind/gore?

André: Não creio que as bandas que você citou sejam diferentes de outras bandas que já faziam esse tipo de som no passado, bandas como EVOKEN, DISEMBOLWELMENT, WINTER... foram ícones do Death/Doom, o que essas bandas mais recentes estão fazendo atualmente é resgatar esse tipo de sonoridade com características peculiares de cada um, mas não que isso seja algo experimental ou inovador, enfim... Sim, eu gosto muito desse gênero e em especial as bandas que abordam temáticas “horror” como as que você citou, por exemplo! Ambas são grandes bandas que possuem um conceito muito grande atualmente e que fizeram com que o gênero voltasse a estar em evidência novamente!

Tersis: Além dessas, lembrei de Paradise Lost, Amorphis e tantas outras que iniciaram fazendo um Death Metal com passagens lentas, mesmo que tendo alguns elementos diferentes do tradicional. Outra grande banda a ser lembrada: Incantation... que abusava de passagens cadenciadas e com um clima único. Clássico! Sobre essa linha mais atual, se o ato de “experimentar” for algo consciente e o resultado ficar harmônico, não vejo problema. O Nocturnus, por exemplo, ainda no início dos 90s arriscou colocar teclados em suas músicas e posso dizer que o “The Key” é um grande álbum. A busca da identidade é algo complicado: às vezes a banda quer se destacar por fazer algo diferente, mas nem sempre essa experimentação representa algo positivo.

10.   Como surgiu a idéia do videoclipe "Trial of the Undead"? Como foi a repercussão e a elaboração do vídeo? Afinal, quem foi convidado para ser zumbi? A banda pretende lançar mais videos, dada a facilidade de divulgação via YouTube? Algum video compilado de cenas de filmes, talvez?

Tersis: Recebemos o convite de uma amiga de longa data para produzir um vídeo-clipe para o curso de web design de uma faculdade de Curitiba. Eles queriam produzir o material focado em cinema trash e terror em geral, especialmente zumbis. Foi então que aceitamos a proposta de produção e oferecemos a faixa “Trial of the Undead“. Apesar da equipe ter apenas uma semana para organizar e produzir todo o material para as gravações, conseguimos o apoio de várias pessoas. Ao final tínhamos tudo organizado: roteiro, make-up, câmera, transporte, equipamentos de som, alimentação, locais para filmar, etc…


André: A repercussão não poderia ter sido melhor: o vídeo irá completar dois anos agora em abril, obtivemos quase 7000 visualizações, na verdade não esperávamos fazer nem a metade disso! O convite do pessoal que atuou como zumbi no clip foi bastante fácil, a produção publicou uma nota na comunidade ZOMBIE WALK CURITIBA explicando sobre a produção e de um dia para o outro já tínhamos dezenas de interessados em participar e aí o pessoal da produção se encarregou de fazer a seleção! Sim, ainda queremos lançar um novo vídeo, porém ainda não temos planos ou idéias de como ele será, qual música será usada, enfim... mas há sim essa idéia até mesmo pela resposta que tivemos com o primeiro! A principio não deverá contar com cenas de filmes, queremos fazer algo próprio novamente! Para mais informações sobre a produção de nosso clipe e para ver o resultado final, basta acessar o hot site: http://www.trialoftheundead.com/


11. Sempre pergunto a bandas de death/gore/grind sobre seus filmes preferidos. Dessa vez, gostaria de perguntar sobre o que vocês gostam de ler. Livros, quadrinhos, contos de horror? Algum autor preferido? Talvez algo mais voltado para a realidade, histórico? André Luiz, livros de anatomia e patologia, não contam!
 
André: Cara, meus últimos seis anos na universidade e o interesse por pesquisa científica fizeram com que eu me mantivesse totalmente afastado de qualquer coisa que não fosse relacionada ao universo acadêmico, provas, trabalhos, seminários... realmente não tenho lido nada diferente ou relacionado aos itens que você mencionou!

Tersis: Também ando um pouco afastado por causa das atividades profissionais e acadêmicas. O tempo livre tenho dedicado para ouvir os discos que tenho recebido e de vez em quando para rever alguns filmes clássicos de horror (como aqueles que usamos de referências em nossas composições). Recentemente também andei lendo alguns livros sobre o metal e subgêneros extremos em geral.



12.   Bom para finalizar gostaria de saber a opinião de vocês sobre os seguintes tópicos:
 
André: 
- Lucio Fulci: Gênio. FULCI LIVES! Terror italiano é o que há!
- Repulsion: HORRIFIEDDDDDDD!
- George A. Romero: Apesar da recente banalização dos filmes de zumbi, Romero sempre será sempre o grande responsável pelos filmes do gênero, seus filmes são verdadeiros clássicos!
- Cannibal Corpse: Gosto bastante até o THE BLEEDING, depois quase não ouvi mais nada, mas me disseram que os discos novos são chatos pra caraleooo!
- Zé do Caixão: A lenda viva do cinema de baixo-orçamento nacional! Fazer o que ele fez e na época em que ele fez, com os “recursos” que ele tinha, ou seja... genial! Devemos ter uma música com uma letra sobre algum filme dele em algum material futuro!
- Troma: Porra, muito foda! Lloyd Kaufman esteve por aqui recentemente! O vingador tóxico é meu super-herói favorito!
- Porno grind/Porno gore: Gosto muito, sempre gostei! Eu e o Tersis temos um projeto chamado CREAMPIE, logo vocês devem ouvir falar dele! Estamos com dois materiais em produção que logo devem ser lançados no México e EUA, além de outros itens que estão em pauta para serem produzidos, mas nosso problema é tempo! Temos uma música no Tributo CD ao C.B.T. também, confiram!



Tersis: 
- Lucio Fulci: ”Offal praise Italian cin”
- Repulsion: Sim, Horrified é um clássico absoluto!
- George A. Romero: Gosto dos filmes antigos.
- Cannibal Corpse: Foi uma das primeiras bandas de Death Metal que ouvi, junto com todas aquelas citadas anteriormente. A estética  visual que ela foi realmente um destaque para mim. Até hoje lembro da primeira vez que peguei o “Tomb of the Mutilated” em CD... Acho perfeito até o “The Bleeding”, mas ainda gosto do “Vile” e do “Gallery of Suicide”. A partir dos anos 2000, a banda perdeu o sentido para mim. Esse último disco, “Torture”, é realmente uma tortura de se ouvir. Se eles tivessem parado de lançar material ainda naquela época e apenas fizessem shows...
- Zé do Caixão: Você, você e todos você!
- Troma: “Toxic Avenger” é o maior de todos, mas “Tromeu e Julieta” também é um clássico.
- Porno grind/Porno gore: O André disse tudo! 




sábado, 18 de agosto de 2012

The Devil´s Blood

 
1. Hail S.L.! Bom, esta é uma pergunta tradicional, mas talvez alguns de nossos leitores não conheçam o The Devil´s Blood. Então, você poderia começar falando sobre a formação da banda e sua história até então? Existe algum significado específico sobre o nome da banda? Qual a origem do nome?

R: Nós tiramos o nosso nome de uma música do Watain, “Devil´s Blood”, cuja letra fala sobre os mesmos temas que me levou a fundar esta banda no início de 2007. A banda é uma forma de falar com as palavras do Demônio, uma forma de trazer a interferência harmônica Do Outro Lado através de nossas ressonâncias rítmicas e musicais. Começamos como um projeto caseiro para gravar algumas músicas e daí as coisas começaram a evoluir aos poucos. Entramos em contato com o pessoal da Ván Records e eles nos fizeram uma oferta para gravar um EP 7” que foi bem recebido e a partir daí eu acredito que você conheça o resto da história.
 
2. A banda acabou de lançar o seu primeiro álbum (N.d.E: o próximo já está para sair!!!) “The time of no Time Evermore” via Ván Records. Como tem sido a aceitação do álbum pela cena? Existem planos para lançamento deste álbum nos Estados Unidos ou até mesmo uma versão Sulamericana? Vocês tem feito turnês para promover o álbum ou apenas alguns shows selecionados?

 Eu não me importo com aceitação, eu não me importo com a cena. Se eles gostam do que nós fazemos está OK para mim, senão eles podem se fuder e morrer. Não nos vejo como parte de cena alguma. Sobre o álbum, ele foi lançado na América do Norte há apenas algumas semanas atrás e já está disponível pelas melhores lojas e distribuidores. Se alguém da América do Sul se interessar, sem dúvida iremos lançar alguma versão do nosso material por aí. O The Devil´s Blood irá percorrer o mundo assim como as lágrimas de Cristo desceram sobre seu rosto em Golgotha!

3.
O título do álbum possui a palavra “tempo” duas vezes. Então, eu diria que o tempo é um tema importante dentro do contexto deste álbum ou até mesmo para a banda.  O que você nos diz sobre isso? A que período de tempo o título do álbum se refere?

O título se refere ao fim dos tempos. Ele se refere ao nada que irá engulir minha alma depois do fogo do julgamento ter sido vomitado da boca da serpente e seu veneno ter comido minha alma. “The Time of No Time Evermore” é o sempre após o qual não tem dimensão. Total Death. 



4. Qual o seu formato favorito para metal: CD, LP, tape ou mp3? Qual a sua opinião sobre download de música da internet?
 
LP
sem dúvida. Eu não me import com o que outras pessoas fazem, mas eu prefiro comprar música boa em Vinil. Bom, mas é claro que tenho um iPod para ouvir música quando não estou em casa e ele está cheio de sons que curto. Quando o material compensa eu gasto o meu dinheiro e compro.

5. Que tipo de livros você lê? Poderia mencionar seus livros favoritos ou pelo menos os últimos que leu? Algumas bandas de prog-rock ocultista são influenciadas por filmes antigos e de horror. E vocês? Quais são seus favoritos?
 
Quando se trata de literatura oculta, no momento estou digerindo alguns livros como: “The Yoga of Power” do Julius Evola, “Liber Falxifer” N.A-A.218 e “Qabalah Qliphoth and Goetic Magic” do Thomas Karlsson. Quando se trata de ficção eu adoro os trabalhos do Haruki Murakami. Quando se trata de filmes, em particular filmes de horror, qualquer um do gênero feito por Corman, Lugosi, Murnau, Hammer House of Horror e outras coisas assim são capazes dea atrair minha atenção.


7. O que podemos esperar de uma apresentação ao vivo do The Devil´s Blood? Sangue? Violência? Rituais? Existe algum tipo de improvisação ou experimentação musical durante os shows? Você bebe álcool ou usa drugas para tocar ao vivo?

Tentamos ficar um pouco sóbrios antes dos Rituais já que precisamos estar limpos para aceitar a força de Satã em nossos corações e mentes. Você não pode ficar nos fogos do inferno sem saber o que está acontecendo, e drogas são simplesmente uma forma de se esconder da realidade de Satã. Depois dos concertos nós usualmente bebemos alguma coisa ou usamos drogas, mas nunca antes. Nossos rituais ao vivo são intensos, poderosos, uma verdadeira união “mágicka” de música e espiritualidade. Existe muita energia sendo invocada entre nós e o público e isto pode levar a qualquer tipo excessivo de comportamento como Sexo ou Violência. Tudo é permitido.
 
8.
Acredito que nos shows da banda o público deve ser bastante diversificado, estou certo? Você acha que devido ao conteúdo oculto e sombrio das letras e das músicas de vocês, assim como pelo respeito que algumas personalidades da cena black metal como Erik do Watain possui pela banda, vocês vão acabar atraindo mais a atenção de fãs de black metal no futuro? Como é o relacionamento de vocês com o black metal?

Eu respeito algumas das bandas da cena black metal, sobretudo aquelas que não estão por ai apenas para chocar sem nenhum sentido profundo em seus trabalhos. Algumas bandas como Watain, Ofermod e Urfaust, que seguem um caminho espiritual bem definido possuem o meu respeito e lealdade. A massa idiota pode se fuder.



9. Você está envolvido com alguma ordem, templo ou seita? O que você sabe sobre tradições mágicas da América Latina como por exemplo a Quimbanda do Brasil e Senor de La Muerte da Argentina? Você conhece alguma banda brasileira underground (black, death, thrash, e etc) ?

Estou ciente da existência de cultos e da importância não só da Quimbanda e do Senor de La Muerte, mas também de algumas variações de Voodoo e Santeria de outras partes da América Central e do Sul. As legiões de Qayin e Exu são fortes por lá e nós devemos muito a eles por suas práticas e tradições. “Hail the Lord of Holy Death! He who wields the left-handed sickle!



10. Eu li em alguma entrevista anterior da banda que você costumava pintar no passado. O que você pintava? Você ainda pinta?

Eu não sou muito bom com isso, então eu removi algumas delas da internet há um tempo atrás. Eu prefiro guardar minhas pinturas para eu mesmo até que eu tenha algo que valha a pena exibir.
 
11.
Antes de terminarmos, você poderia comentar sobre as novidades com relação a banda neste momento, planos futuros e etc? Bom, acho que este é o fim de nossa conversa S.L....obrigado pela entrevista.

No momento estamos fazendo algumas tours, levando a escuridão aos campos do verão. Após isso iremos entrar em uma fase de hibernação para criar mais músicas e talvez trabalhar em um novo lançamento. Quando, onde e o que ainda está indefinido. (N.d.E.: o novo álbum já foi lançado “The Thousandfold Epicentre” via Ván Records). Nós não iremos parar até que o mundo esteja em total escuridão e a Boca da Salvação tenha comido todos nós pecadores.

Disforterror



1. Saudações Vágner Warrior Impaled! Conte-nos como tem sido a jornada do Disforterror até então. Parece-me que o caminho tem sido duro, já que você está sozinho na banda. Ou desde o início isto foi uma prioridade sua?


R: Hailz Bestiais nekro goats leitores dessa pestia macabra, aqui iniciamos a infernal desecraçao a

humanidade com o bestial e insano tank negro chamado DISFORTERROR, que o sangue jorre nos abismos nekromaticos, essa jornada tem sido infame e desscravel, honrando o nekro bestial metal da morte. Essa nunca foi uma prioridade minha de estar sozinho na horda,os outros integrantes se foram e nem por isso a horda findou a batalha nas trincheras dos infernus continua. Hailz sataniko kaoz apokaliptico!

2. O último lançamento da banda foi o EP "Impalement and Holocaust Stench" pelo cultuado selo Nuclear War Now. Como surgiu este contato e como foi a repercussão deste lançamento considerando que este selo tem uma ampla divulgação internacional.


R: Foi simples, enviei o material para o INSULTER proprietario do selo ele curtiu o material, e logo ele me retornou me dizendo que lançaria o mesmo no fodido formato vinil e CD e ai esta o resutado, o INSULTER me disse que a repercussão tem sido satisfatoria.


3. Quais as novidades da banda no momento? Está compondo algo para um próximo lançamento?


R: A horda tem um batera oficial, e já estamos ensaiando, sim temos 9 hinos do kaoz sendo preparados para um lançamento futuro.


4. O que significa "anti-humanismo" e até que ponto isto faz sentido para você? O que significa para você ter ódio a raça humana? Isto faz parte da ideologia e dos conceitos do Disforterror?


R: É o fim de tudo, é o extermínio da raça humana, a humanidade é falha por seus próprios atos, e isso é a essência da bestialidade espalhada por essa maldita máquina aniquiladora chamada DISFORTERROR...

5. Recentemente vem surgindo muitas bandas no estilo war black metal, tocando um som no estilo Blasphemy. Considerando que o Disforterror está na ativa desde 1997 e nunca seguiu nenhuma tendência e tem o seu próprio som, comente sobre o assunto.

R: Quem segue tendência são os fracos, a horda DISFORTERROR segue o seu próprio modo sem se importar com os outros. O kaoz sonoro da horda continuará destroçando os fracos por muito tempo....


6. O que você busca como influência externa para a estética e conteúdo lírico da banda? Livros? Filmes? Realidade? Experiências? Drogas? Cite alguns exemplos.


R: Uma explosão nuclear, a parte lírica é o fim num kaoz avassalador de ódio e honra ao bestial metal disforme.


7. Com certeza bandas infames e bestiais como Blaphemy, Beherit, Proclamation, entre outras estão no seu playlist. Entretanto, gostaria de saber se costuma ouvir alguma coisa fora do ramo black/death metal, como por exemplo algum progressivo, psicodélico, rock satânico ou até mesmo música clássica.


R. Ouço somente hordas que exprime o bestial metal e nada mais.


8. Se você pudesse escolher algumas bandas para tocar ao vivo, quais bandas seriam?


R: Não existe uma horda específica, mas gostaria de dividir o palco com quem sabe do real significado do nekrounderground.


9. Manifeste a sua opinião sobre as seguintes personalidades:

- Varg Virkenes (Burzum)
- Chuck Schuldiner (Death)
- Nuclear Holocausto Vengeance (Beherit)
- Jon Nodveidt (Dissection)

R: Todos estes indivíduos fizeram e deixaram seus legados no underground, entretanto somente o Nuclear holocausto deixou pra mim obras maléficas no nekrounderground.





10. Quais filmes e livros estão entre os seus favoritos e porque?


R: Nenhum.


11. Grande camarada, agradeço pelo seu tempo e pela entrevista. Deixe seus últimos comentários...


R: A horda infame da bestialidade que agradeçe pelo o espaço cedido nas paginas do DARK GATES ZINE. O KAOZ COTINUA, A HORDA DISFOTERROR ESMAGARÁ MUITOS COM SEUS RITOS DE BESTIALIDADE.



Pátria


Por S.K. e Brucolaques

1. Saudações Mantus! Conte-nos como surgiu a banda e como tem sido a sua jornada até o presente momento.
Mantus - O PATRIA é um projeto recente, fundado em 2008, com a proposta de fazer BLACK METAL primitivo, puro e simples, sem compromisso e visando uma realização muito pessoal da parte de todos os envolvidos. Até o momento temos a demo "Hills of Mist" lançada ainda em 2008, o primeiro álbum "Hymns of Victory and Death" de 2009, o segundo "Sovereign Misanthropy" de 2010, e também o recém-lançado MCD "Gloria Nox Aeterna". Todos lançamentos do selo russo MONOKROM, sub-divisão da HELVETE.RU.

2. Recentemente foi lançado o mais novo CD da banda "Sovereign Misanthropy". Como foi o processo de composição do mesmo e que diferenças você apontaria se comparado com o seu antecessor, "Hymns of Victory and Death"?
Mantus - O processo de composição dos álbuns é sempre muito parecido. Temos as idéias de algumas bases e o restante é composto durante os ensaios já no dia da gravação. Temos nosso próprio home-studio e dessa forma fica tudo mais viável. As composições acontecem quase como de improviso, de uma maneira pouco convencional e é um processo natural que gosto muito, pois considero o que rende os melhores resultados. 70% do material é criado na hora da gravação e dessa forma soa incrivelmente honesto! Entretanto, apesar de similares, creio que exista já uma diferença entre os dois primeiros álbuns. No "Hymns..." ainda estávamos amadurecendo as ideias, formato e até tipo de produção que gostariamos de ter. Já no "Sovereign..." o processo apesar de mais demorado, foi mais fácil e já tiveram algumas poucas mudanças nos encaixes de vocal, adicionamos também alguns coros e tivemos mais dinâmica no andamento das músicas. Talvez seja um trabalho mais diversificado que o "Hymns...".


3. O novo CD conta com um cover de "My Lady Princess of Hell". Pessoalmente, achei a escolha deste cover perfeita, pois considero este split do Songe D'Enfer um clássico do Black Metal nacional. Comente a respeito desta escolha e cite quais outros álbuns nacionais você destacaria como clássicos?
Mantus - O Songe d'Enfer na minha visão foi a melhor banda de Black Metal que o Brasil já teve! Além disso somos amigos de longa data e o nosso baixista Käffer foi o primeiro baixista deles também. Enfim, quando estávamos pensando em gravar um cover, essa opção foi a que mais nos agradou e achamos que seria uma grande homenagem! Também uma forma de fazer mais pessoas interessadas pelo Black Metal brasileiro, conhecerem o Songe d'Enfer, já que a banda não se encontra na ativa atualmente! Percebi que muitos, principalmente os mais novos, não tiveram a oportunidade de escutar a demo "My Visions In The Forest", sem dúvida um dos maiores clássicos do nosso Black Metal, mesmo que ainda em formato fita cassette.
São muitos clássicos nacionais!!! Bom, fugindo então daquela mesmice de Sárcofago e cena metal de Minas, que é pra mim uma das coisas mais significativas que tivemos no Brasil em relação a metal extremo, eu poderia ainda citar discos como o  "Fall Ascension Domination" e "Jacko La Tequila" do Amen Corner, a demo "Lords of Occultism" e o 7EP "Cerimonial Circle" do Nocturnal Worshipper, "And Evil Returns" do Murder Rape, "Wicca" e "Goetia" do Mystfier, A demo "Science of Fear" do Necromancer, entre milhares de outros clássicos. Também não posso esquecer de bandas como o grande Dorsal Atlântica, Azul Limão e Stress, que fazem parte do começo de tudo! 
 
4. "Sovereign Misanthropy" foi lançado pela Monokrom Records (Russia). Porque não lançar pela Höllehammer Propaganda, já que você, Mantus, é responsável pela mesma? Como tem sido a repercussão da banda no âmbito internacional?
Mantus - No momento com todos os planos da Höllehammer ficamos de mãos atadas quanto a isso e acreditamos que o material lançado na Europa tenha uma distribuição automaticamente melhor. Com a Höllehammer negociamos a promoção e distribuição no Brasil apenas! Infelizmente precisamos priorizar certas coisas para que tudo funcione corretamente, e como o PATRIA não é algo com que temos um grande compromisso, achamos melhor dar espaço para outros lançamentos e licenciamentos no Brasil. A repercussão dos CDs do PATRIA tem sido muito boa, mas não tivemos sequer a preocupação com o envio de material promocional para zines/revistas. As resenhas que estão sendo vinculadas foram feitas por conta das próprias publicações e por parte do envio de material do próprio selo. Para enviarmos material infelizmente custa muito caro e como não é algo rentável para nós, decidimos não investir nisso.

5. Ainda não vi flyers ou comentários sobre shows da banda. Porque? Falta de oportunidades ou a banda não foi formada para apresentações ao vivo?
Mantus - Realmente esse não é o nosso foco principal. Temos outros objetivos com a nossa música e grande parte disso tudo acaba sendo uma realização pessoal e não comercial como tem sido o metal de uns bons anos para cá. Não descarto a possibilidade de haver apresentações ao vivo no futuro, e inclusive temos uma formação especial para isso, mas no momento é algo pouco provável, e mesmo que isso venha a acontecer seremos extremamente seletos.

6. Uma coisa que me chamou a atenção na produção gráfica da banda é que tanto o logo quanto as capas dos álbuns são tecnicamente simples se comparados com a maioria das produções atuais. Entretanto, acho que são extremamente objetivos e conseguem passar todo o sentimento frio e obscuro da banda. Comente a respeito da estética da banda e o porque desta escolha.
Mantus - Sempre tivemos a preocupação de mostrar um trabalho incrivelmente simples e acho que atualmente isso se torna até um diferencial. De qualquer forma nosso objetivo com o PATRIA não é mostrar qualquer originalidade ou ir na direção desse comercialismo atual, mas sim resgatar aquela aura Black Metal que era vista verdadeiramente no final dos 80 e principalmente no início dos anos 90, com a cena escandinava ainda em seu momento underground.

7. A qual pátria o título da banda se refere? A julgar pelos títulos das músicas e letras da banda, eu diria que não tem um sentido nacionalista. Ou estou enganado?
Mantus - Você está totalmente certo! O PATRIA não tem NADA de nacionalismo, patriotismo, regionalismo ou qualquer outro "ismo". Nossa verdadeira PÁTRIA é o Black Metal e a escuridão que o cerca. É algo universal e tem seu processo seletivo feito de forma natural com o passar dos anos, onde dentro dele só permanecem as pessoas que realmente acreditam e vivem isso intensamente. É uma pátria que representa a liberdade, orgulhosamente algo que ninguém pode nos tomar, mesmo que para isso tenhamos que encontrar a morte.

8. Além de tocar na banda Patria, você também é integrante da banda Vinterthron e fez parte das bandas Mysteriis e Darkest Hate Warfront. Eu gostaria que você comentasse sobre as diferenças musicais e ideológicas de todas estas bandas e, também, revelasse em qual delas você se sentiu (ou sente) mais conectado, musicalmente e ideologicamente.
Mantus - Minha conexão maior é com certeza com o PATRIA. Por ser algo pessoal e sem qualquer compromisso, as coisas fluem com uma maior naturalidade e só lançamos o material quando estamos 100% satisfeitos com o mesmo. Hoje quem compõe e grava todas as músicas sou eu sozinho e a parte lírica/vocálica é feita pelo nosso vocalista Triumphsword. Somos quase que vizinhos de porta, morando na mesma cidade e isso facilita bastante o processo de criação e desenvolvimento do trabalho.

9. Atualmente, tem surgido várias ferramentas online que ajudam na divulgação das bandas, como por exemplo o Myspace, que além de fornecer um meio de contato com a banda ainda é possível ouvir alguns sons. Qual a sua opinião sobre as tendências da internet e a sua relação com o Black Metal? Tenho a impressão de que aquele radicalismo com relação à internet tem desaparecido aos poucos, o que você acha?
Mantus - A internet realmente já gerou diversas polêmicas em relação ao Black Metal, mas acredito que em uma visão geral existem pontos positivos e negativos nisso tudo. Não vou citar aqui os negativos pois tomaria muitas linhas e ainda sim seria inútil, mas acreditamos que a parte positiva possibilitou grandes bandas e selos no underground serem reconhecidos mundialmente e viverem com maior intensidade o cenário metálico como um todo. As oportunidades são muitas através da internet e sabendo selecionar bem as propostas, dá para fazer um trabalho de qualidade, honesto e o principal, independente. Sem dúvida atualmente todo o radicalismo tem desaparecido e acho que é exatamente por essa conscientização de que é possível usar dessas ferramentas sem perder o "brilho" do underground. O radicalismo válido é aquele feito com consciência e inteligência! Acho que mesclar música e ideologia primitiva com novas ferramentas seja um caminho para uma maior liberdade musical e filosófica, algo que não era inteiramente possível a 10/15 anos atrás, quando éramos obrigados a seguir certas "regras" e "censuras" para estarmos dentro do cast de algum selo e termos nosso material lançado. 

10. Você é o fundador do selo Höllehammer Propaganda, dedicado à vertente do Pagan/Folk Metal. Por qual razão você criou o selo e porque seguir esta linha musical em um país como o Brasil? Você acha que há um cenário forte em todo o território brasileiro para a proliferação desta linha sonora?
Mantus - Na verdade sou um dos sócios do selo juntamente com mais dois grandes amigos. Optamos pelo Black Metal com foco principal nas vertentes Pagan & Folk Metal pelo fato de termos no Brasil um público realmente grande e ainda carente para este estilo nos dias de hoje. Nosso objetivo foi começar algo que oferecesse material de qualidade, nacionais e importados, com preços adaptados a realidade do mercado no Brasil, além de trazer bandas que antes não tinham um grande reconhecimento em nosso país. A maioria dos selos aqui estão interessados em lançar apenas grandes bandas com grande aceitação comercial e não vejo a coisa dessa forma. Viemos para somar e trazer novidades, tenham elas alguma fama ou não por aqui. Acreditamos que temos feito um bom trabalho até o momento e estamos dando o nosso máximo para conseguirmos ir adiante, trazendo cada vez mais novidades para o público brasileiro.

11. Eu gostaria que você comentasse sobre o novo lançamento do Patria que está por vir, o MCD "Gloria Nox Aeterna", via Monokrom. O que podemos esperar deste novo material? Como se deu a idéia da produção do clipe que virá neste trabalho?
Mantus - Considero que nossa música esteja em constante evolução, se é que posso chamar dessa forma. Muitos encaram a palavra "evolução" como algo negativo dentro do metal, mas não é o nosso caso. Não existe amenização! As músicas contidas nesse MCD carregam o mesmo clima intenso das músicas dos primeiros álbums, talvez com um trabalho um pouco mais apurado na produção e composições, que continuam extremamente barulhentas e obscuras, sem qualquer traço de comercialização. A evolução que falo é em relação a um amadurecimento de ideias e principalmente a possibilidade de se fazer algo que já foi feito muitos anos atrás, com nossa própria personalidade, sem soar idêntico ou uma cópia barata. O MCD tem prensagem limitada em apenas 250 cópias numeradas a mão em todo o mundo e conta com 4 faixas exclusivas, nossa demo de 2008 como bônus, além de dois vídeos: o promocional "Old Blood Legacy" de 2009 e o oficial "Culto das Sombras", ambos já lançados no Youtube.
O vídeo "Culto das Sombras" foi feito de forma independente e bastante arcaica na verdade!!! Não queriamos algo super-produzido, pois não é essa a cara da banda. Então encontramos a melhor locação ao meio da natureza aqui na região onde vivemos, juntamos uma equipe de grandes amigos, dispostos e com câmeras de mão amadoras, montamos o cenário de acordo com a idêntidade da música escolhida, e capturamos durante uma noite inteira de filmagens todos os takes e angulos possíveis. Com isso nós mesmos fizemos toda a edição e pós-produção do clipe. O resultado nos surpreendeu muito e tivemos respostas bastante positivas em relação a esse material.

12. Suas últimas palavras para aqueles que vem acompanhando o Patria a cada novo petardo lançado...
Mantus - Agradecemos todo o interesse e apoio a nossa música e realmente esperamos que todos apreciem nossos futuros lançamentos. Estamos aqui para representar o Black Metal e o Brasil da melhor maneira possível, sem nos sujeitarmos a escravização praticada pela indústria musical! Glória a Noite Eterna!!!